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25 de julho de 2013

Cientistas encontram vida no lago Vostok

Em 27/06 publicamos um artigo sobre a possível existência de vida no lago Vostok, possibilitando lançar um olhar retrospetivo sobre o passado da Terra, sobre o que existia há a centenas de milhares de anos, veja agora o resultado das pesquisas realizadas na primeira amostra procedente das águas do lago. 

Mais de três mil organismos foram registrados no lago que está a quase 4 km da superfície glacial da Antártica



Cientistas encontraram sinais de vida num local até então improvável. Análises do gelo do Lago Vostok, o maior dos quase 400 lagos subterrâneos conhecidos na Antártica, revelaram a existência de DNA de 3.507 organismos. Após mais de uma década de perfuração intermitente, a Rússia atravessou no ano passado a crosta congelada da Antártica e recolheu amostras da água do lago que permaneceu intocado durante pelo menos 14 milhões de anos, numa profundidade de 3.768 metros sob a superfície glacial. O estudo foi publicado no periódico "PLoS One".

A diversidade de vida encontrada surpreendeu cientistas, já que muitos tinham pensado que o lago seria estéril devido às condições extremas. A descoberta aumenta a esperança de haver vida em outros ambientes extremos do planeta e até fora dele. Biólogos têm um interesse especial em lagos, pois as condições existentes neles não devem ser muito diferentes das que existem em corpos de água líquida provavelmente existentes sob a superfície de das luas geladas do Sistema Solar exterior. Uma das luas de Júpiter, a Europa, por exemplo, é coberta com uma camada de gelo que pode esconder um oceano líquido embaixo.

- Encontramos muito mais complexidade do que se pensava. Isso realmente mostra a tenacidade da vida, e como os organismos podem sobreviver em lugares onde uma dúzia de anos atrás, pensávamos que nada poderia sobreviver - afirmou ao "Telegraph" Scott Rogers, biólogo da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, nos Estados Unidos.

Quase 94% das sequências são de bactérias, enquanto que um pequeno grupo (6%) de organismos multicelulares mais complexos (eucariotas). Isoladas do resto do mundo, algumas sequências de DNA encontradas são novas para a ciência e podem ser de espécies que evoluíram nas profundidades do lago. Parte dos organismos é comumente encontrada no sistema digestivo de moluscos, crustáceos e até peixes.

- As sequências sugerem que um ambiente complexo deve ter existido no Lago Vostok - disse Rogers. - Há mais de 35 milhões de anos, o lago era aberto para a atmosfera e cercado de um ecossistema de floresta. Provavelmente, os organismos foram se adaptando às mudanças de condições entre 15 a 35 milhões de anos atrás, quando o lago se converteu de um sistema terrestre para o subglacial.

Cientistas hoje sabem que a Antártica é sustentada por uma grande rede de rios, e muitos dos organismos identificados, ou seus traços, talvez possam ter sido levados ao Vostok pelo oceano. O lago está a 200 metros abaixo do nível do mar.

Identificado em 1956 pelos russos e mapeado na década de 1990 pelos britânicos, o Vostok cobre uma área de 15 mil quilômetros quadrados e tem profundidade de até 800 metros. Pesquisadores acreditam que o lago esteve fechado para a atmosfera por muitos milhões de anos.

A equipe também descobriu bactérias que se desenvolvem em ambientes quentes, como em torno de fontes hidrotermais vulcânicas no fundo do mar. Se essas aberturas existissem de fato no Vostok, elas poderiam fornecer "fontes de energia e nutrientes vitais para os organismos que vivessem no lago", descreveu o artigo da PLoS One.

Segundo o estudo, a combinação de frio, calor (da possível atividade hidrotermal), pressão (da geleira), quantidade limitada de nutrientes e completa escuridão são os desafios da vida ali. As análises foram feitas a partir de quatro seções do Vostok. Na maior parte do lago, as amostras de gelo contém reduzidos índices de minerais, íons, carbono e biomassa.

Fontes: http://www.jornaldaciencia.org.br, http://oglobo.globo.com/ciencia

27 de junho de 2013

Água do lago Vostok poderá explicar origem da vida

Lago debaixo do gelo da Antártida pode explicar origem da vida

Cientistas russos obtiveram a primeira amostra procedente das águas do lago Vostok, localizado a quatro quilômetros de profundidade sob a superfície do gelo da Antártida. É o maior reservatório de água doce do continente mais austral. De acordo com previsões de peritos, o gelo do Vostok pode possuir propriedades físicas especiais.

Calcula-se que o Vostok seja o maior das várias centenas de reservatórios de água existentes por baixo do gelo da Antártida. Sua superfície de mais de 15 mil quilômetros quadrados é um pouco menor do que a do Ladoga, o maior lago da Europa. Há vários milhões de anos que o Vostok está isolado da atmosfera terrestre. Atualmente, o lago jaz coberto por uma camada de gelo cuja espessura varia de 3.700 a 4.200 metros.

No dia 10 de janeiro passado, os membros da expedição antártica russa obtiveram a primeira amostra de gelo do lago. Por enquanto, os cientistas não podem dizer exatamente que propriedades tem o gelo proveniente de grandes profundidades. É que as amostras obtidas na Antártida serão transportadas para “terra firme” a bordo do navio da expedição científica Akademik Fiodorov, que atracará em São Petersburgo só em meados de maio.

As amostras serão analisadas em laboratórios microbiológicos e químicos, diz o chefe da expedição antártica russa do Instituto dos Estudos Árticos e Antárticos, Valeri Lukin, e continua: “No âmbito das ciências biológicas, nós estudamos a biodiversidade de um fenômeno natural absolutamente desconhecido - o lago Vostok. Antes ninguém no mundo tinha retirado amostras de água deste lago. Se encontrarmos alguns microrganismos nelas, obteremos, provavelmente, novos dados relativos a vias de evolução diferentes, porque se trata de um meio natural não existente em mais nenhuma parte de nosso planeta”.

                        

A análise da água (entretanto congelada ao ser retirada) poderá fornecer resultados excecionais, possibilitando lançar um olhar retrospetivo sobre o passado da Terra, sobre o que existia há a centenas de milhares de anos.

A vice-diretora do Instituto Limnológico da sucursal siberiana da Academia das Ciências da Rússia, Tamara Khodjer, refere:
“O exame de lagos similares, localizados sob uma cobertura de gelo, oferece-nos a possibilidade de fazer comparação com o que há em Marte. É que, segundo uma hipótese, em Marte existe uma camada de gelo, e no Planeta Vermelho, realmente, têm sido detetadas algumas moléculas de água. Isto quer dizer que o lago subglacial poderá nos ajudar a articular hipóteses referentes à origem da vida em outros planetas do Sistema Solar”.
A análise da água será capaz de dar resposta a uma outra interrogação não menos importante, isto é, sobre os antigos microrganismos que outrora existiram no nosso planeta. Por enquanto, não há provas de existência de vida no lago Vostok. No entanto, muitos estudiosos julgam que a água por baixo da espessa camada de gelo pode ser habitada por microrganismos.

Tamara Khodjer preconiza que, ao longo de milhões de anos, o lago Vostok tem estado isolado em relação ao meio externo. “Resultados de análises químicas da composição da água do lago nos aproximarão da reconstrução do paleoclima. Provavelmente, serão detetadas formas primitivas de vida”.

 A Antártida ainda possui um sem-número de enigmas. Os cientistas russos já avançaram muito na revelação dos segredos do maior lago subglacial. Agora, a tarefa mais importante consiste em proteger da contaminação os dois metros da amostra de gelo transparente obtido no Vostok e levá-lo para a Rússia. Em seguida, serão os cientistas a ter a palavra.

Fonte: Voz da Rússia

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