Paleontologistas russos fizeram uma descoberta única. Nas ilhas do oceano Ártico, foram encontrados restos de uma fêmea de mamute em perfeito estado de conservação.
Os tecidos e a ossamenta se preservaram quase idealmente, podendo proporcionar importantes detalhes para o estudo da anatomia do animal extinto. Ou, provavelmente, valer inclusive à clonagem do mamute, – a tais projetos quase fantásticos se referiam já reiteradas vezes estudiosos do Japão, Coreia e Rússia.
Pesquisadores do Instituto de Ecologia Aplicada das Regiões Setentrionais, pertencente à Universidade Federal do Nordeste, e membros da Sociedade Geográfica Russa trouxeram da expedição conjunta os restos de uma fêmea de mamute em excelente estado de conservação. O corpo foi encontrado na ilha Lyakhovsky (arquipélago da Nova Sibéria), no oceano Ártico.
Essas paragens são famosas por seus gelos e o permafrost milenários. Não é de estranhar, portanto, que o achado se conservou perfeitamente. Até os tecidos moles da fêmea de mamute apresentam excelente conservação.
Ao examinar a dentadura do animal antigo, os estudiosos estimam sua idade entre 50 e 60 anos.
Primeiro mamute clonado pode aparecer na Rússia
“Os fragmentos do tecido muscular encontrados fora do tronco têm uma cor vermelha natural de carne fresca”, especificou Semion Grigoriev, chefe da expedição e diretor do Museu de Mamute do Instituto de Ecologia Aplicada das Regiões Setentrionais. Semelhante estado de conservação se deve ao fato de a parte inferior do corpo do animal ter permanecido dentro de um bloco maciço de gelo praticamente puro do litoral. A parte superior, ao contrário, foi descoberta no meio da tundra.
A probóscide (tromba) – que em mamutes habitualmente se conserva pior do que os demais órgãos – foi achada em separado do corpo.
As amostras de sangue da espécie extinta foram colocadas em provetas com substância conservante especial. São de cor escura intensa. “O sangue estava numa cavidade dentro do bloco de gelo debaixo do abdome, e quando abrimos em gelo vários buracos com picareta, o sangue escoou para fora”, relatou Grigoriev.
Isso é muito assombroso levando em consideração que no momento de escavação a temperatura do ar estava entre 7 e 10 graus Celsius negativos. Pode-se presumir que o sangue dos mamutes possuísse propriedades crioprotetoras, ou seja, fosse à prova do frio e efeito destruidor deste, acreditam os cientistas.
O achado irá ser estudado por várias equipes de paleontologistas russos. Não se descarta também que juntem a eles pesquisadores do Japão e da República da Coreia.
Fonte: Voz da Rússia